sábado, 18 de julho de 2015

Blá Blá Blá.... Quero água!

  Aqui vou eu a passar no corredor. No meio do barulho ouço em voz baixa alguém a chamar me, tão baixo que quase nem se distinguia no meio da agitação do turno da manhã. A minha resposta é:
  - Só um momento, quando poder vou ai.
  Triste mas real é isto que acontece vezes sem fim. Quando finalmente tenho aquele ''momento disponível'' vou até aquele que me chamou. Entro no quarto e deparo me com uma cena lamentável. No leito encontro uma pessoa que olha pela janela perdida em pensamentos, quem sabe lembrando como é boa a vida fora daquelas quatro paredes. Entro e pergunto com um sorriso o que queria ao chamar-me.
  - Quero água, tenho a garganta seca!
  Água, apenas água! O copo estava ali cheio ao seu lado na mesa de cabeceira era só esticar o braço e beber. Mas será assim tão fácil? Não, não é... Aquilo que é um simples gesto para qualquer um de nós, uma coisa que fazemos várias vezes por dia e que não valorizamos em nada para muitos depende da boa vontade alheia. Já imaginaram o que será estarmos aprisionados no nosso próprio corpo? Termos vontades e estas não poderem ser atendidas? Ou simplesmente não podermos ter o mínimo de privacidade seja ele em que sentido for? Lido com este tipo de situações diariamente, mesmo assim não consigo imaginar o que vai na cabeça destas pessoas que ali estão à espera que eu chegue perto delas para lhes trazer alguma comodidade ou simplesmente um gole de água para matar aquela sede de alguém que parece ter atravessado o deserto.
  Todos temos aquele sentimento egoísta de que acontece sempre aos outros, não por mal mas é assim que a maioria de nós pensa o problema é que ''os outros'' também somos nós. Não desvalorizem as pequenas coisas da vida pois podem vir a ser o vosso bem mais precioso...

6 comentários:

  1. Gostei muito deste post...
    Posso até dizer-te que isto se aplica não só a um corpo mas também se pode aplicar a uma relação ou outra situação da vida!
    O mal do ser humano? Só valorizar algo que se perde e que não tem volta de pegar!

    Beijinhos linda!

    O Meu Rimel Preto

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    1. Oh meu amor ainda bem que gostas te. Sei que não tem muito a ver com o tema principal do blog mas tem muito a ver comigo e com todos nós... Todos os dias me deparo com pessoas que não conseguem fazer pequenas tarefas que para nós são tão banais como beber um copo de água ou até coçar o nariz...
      Bjus grandes borracho

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  2. O texto sensibilizou-me e muito. Uma ótima reflexão. Felizmente nunca tive problemas que impossibilitassem a minha mobilidade ou as minhas vontades, mas presencei um jovem de 22 anos, que era meu namorado, ser completamente limitado às suas vontades, o corpo dele ia-se modificando a cada dia, e era tão triste ver que ele dependia dos outros para tudo, e quão tinha qualquer poder sobre si e quase nenhuma privacidade. E eu ali sem poder fazer nada, a não ser, dar-lhe um gole de água quando ele me pedia. Tocou-me imenso esse texto e penso como tu: temos de dar valor às coisas banais do nosso dia-a-dia, pois se acontece aos outros, poderá acontecer a nós também.
    Bonito texto.
    Beijihos doces.
    http://doceefeminina.blogspot.pt/

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    1. Infelizmente a maioria das pessoas só quando passa por estas provações começa a dar valor ao que realmente importa. Não exste pior cadeia do que estar arisionado no nosso próprio corpo.

      Bjinhos grande e muito obrigado pela tua vistia

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  3. Respostas
    1. Obrigado querida, desculpa a demora mas vou já visitar o teu blog também!
      Bjinhos

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